Normalização

SIAMFESP trabalha na elaboração de norma de Ferragens para Vidro

07/11/2019

O setor de Ferragens para Vidros deverá ganhar em breve uma norma exclusiva.

Norma Ferragens inedita

O objetivo é adequar a classificação de códigos de ferragem, tamanho e peso dos vidros, de forma a evitar problemas na montagem desse tipo de estrutura. A nova norma está em fase de aprovação pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas).

Confira entrevista com  , Roney Honda Margutt, Gerente de Tecnologia do SIAMFESP e Coordenador da Comissão de Estudo Especial de Ferragens (ABNT/CEE-188).

foto Roney

Roney Honda Margutt

1) A norma em questão já tem número e nome definidos? Se sim, quais são?

A Norma passará a ter um número na próxima etapa, ou seja, quando finalizar a editoração. Vale ressaltar que o texto-base, como chamamos o documento antes de virar um projeto de norma com a definição de seu número, já teve seu trabalho finalizado pela ABNT/CEE-188 – Comissão de Estudo Especial de Ferragens, encaminhado para a ABNT, já revisado gramaticamente e agora se encontra na editoração. Atualmente, possui um número provisório de Projeto de Norma: PN 188:000.000-002 – Ferragens para vidro – Requisitos, classificação e métodos de ensaio.

 2) Qual comissão foi responsável pelo desenvolvimento dessa norma?

 A origem e desenvolvimento da Norma foi junto à ABNT/CEE-188 – Comissão de Estudo Especial de Ferragens.

3) Ainda sobre a questão anterior, houve participação ativa do setor nacional de ferragens na elaboração da norma? E do setor vidreiro?

 Perfeito, vale destacar que a demanda pela elaboração da Norma partiu das empresas fabricante de Ferragens para Vidro contando com o apoio durante todo o processo do Setor Vidreiro por meio da ABRAVIDRO.

A comissão contou com a participação de quarenta e sete (47) profissionais de todas as áreas, laboratórios de ensaio, fabricantes de ferragens, fabricantes de vidros, instaladores e consumidores.

Outra informação relevante é a elaboração da Norma junto com o desenvolvimento dos ensaios nos laboratórios, ou seja, assim que a Norma for publicada, os interesados poderão imediatamente utilizar laboratórios independentes para avaliação de sua qualidade e desempenho.

4) Quais são os principais conteúdos abordados nessa norma?

Os principais conteúdos estão:

 - Padronização dos códigos das ferragens – com o texto todas as ferragens terão uma codificação padronizada, de modo que, ao se citar um código, todos os elos das cadeia saberão qual ferragem que se trata, para todas as empresas, então poderão conversar desde quem compra, quem especifica, quem fabrica e quem instala, com o mesmo código. Antes cada empresa criava seu código, embora muito parecidos, geravam dúvidas e confusões.

 - Descrição e aplicação – todas as ferragens estarão descritas na Norma com a sua aplicação, ou seja, por exemplo, uma ferragens com a aplicação descrita para basculante, não poderá ser utilizada como pivotante, deixando bem claro onde deve ser utilizada.

 - Definição dos tamanhos e pesos dos vidros – para cada uma das ferragens contempladas pela Norma é especificado um tamanho e peso máximos que podem ser utilizados para cada ferragem, de modo que garanta a segurança da aplicação da ferragem com o vidro correto.

 - Especificação dos recortes para os vidros – assim como para os tamanhos e pesos máximos para cada uma das ferragens, também é definido um recorte de vidro padrão que deve ser executado para cada uma das ferragens serem instaladas, deste modo o fabricante de ferragens para vidro poderá garantir o desenvolvimento de seu produto, pois saberá exatamente como será o local a ser fixado ao vidro.

 - Desenvolvimento de ensaios cíclicos e mecânicos – foram desenvolvidos métodos de ensaios para avaliar os elementos de fixação das ferragens (parafusos) quanto a sua resistência mecânica e de avaliação de durabilidade das ferragens móveis para verificar seu desgaste e a avaliação quanto ao escorregamento do vidro. Além da resistência à corrosão, que é um ensaio muito importante, principalmente para as ferragens que estarão sujeitas à intempéries, por exemplo.

 Com este conteúdo há a grande recompensa do trabalho, ou seja, a identificação e responsabilização dos elos da cadeia. Pois será possível verificar, em um eventual letígio, onde foi o problema, se na especificação (quando indica uma ferragem para um uso que não devia), na têmpera (se o recorte de vidro não foi o especificado pela Norma), na instalação (se foi utilizado um vidro com dimensões e pesos fora do permitido) ou na própria ferragem (quando for verificado que não passa nos testes de desempenho).

 Vale lembrar, que sem essa possibilidade, a grande resposta para os problemas acaba sempre sendo que foi o vidro que quebrou, então o problema é do vidro, mas isso, na maioria das vezes, não é a verdade.

5) Pelo que você explicou por telefone, um dos pontos importantes da norma é que ela estipula que as fabricantes de ferragens para vidro deverão fazer a regulamentação compulsória dos seus produtos junto ao Inmetro, certo? De que forma esse processo é feito?

Exatamente, o INMETRO neste ano de 2019 está implementando um Novo Modelo Regulatório (NMR) que prevê a regumentação compulsória de todos os produtos sob sua atuação, isto inclui as Ferragens para Vidro. Para a regulamentação compulsória há a necessidade de uma Referência Técnica de Anuência, que serão as normas da ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas.

Desta forma, com a publicação da Norma de Ferragens para Vidro, os fabricantes de ferragens, instaladores, têmperas e fabricantes de vidros, serão obrigados a atender o conteúdo do documento, sob possibilidade de receber sanções administrativas que vão desde a apreensão dos produtos, lacração de fabricas até multas que podem chegam ao valor de R$ 5 milhões, caso seja constatado problemas de não conformidade. Além de processos criminais na ocorrência de letígios.

Assim, para o fabricante sério, o atendimento à Norma e a comprovação de seu desempenho, que pode ser por meio de uma certificação de terceira parte, será uma forma de se resguardar de futuras fiscalizações e denúncias infundadas, o que lhe dará maior segurança de atuação no mercado.

Da mesma forma para as empresas que são associadas a entidades sérias como o SIAMFESP e a ABRAVIDRO.

6) Quais ensaios a norma determina para a aprovação das ferragens para vidro? E como eles são conduzidos?

 Como comentamos os ensaios previstos para as ferragens são:

 - Resistência mecânica dos parafusos de fixação – para a verificação da resistência mecânica é aplicado um torque excessivo de 12 N.m junto ao parafuso para verificar a sua capacidade de aperto

 - Ciclagem das ferragens para portas de vidro – com a instalação e em uma porta de vidro de tamanho real com a aplicação de 100 000 ciclos de abertura e fechamento automático por mola hidráulica

 - Resistência à corrosão – com a exposição das ferragens por um período mínimo de 72 h em câmara de névoa salina neutra sem a presença de defeitos

7) Ainda sobre a questão anterior, antes dessa norma havia algum parâmetro para a avaliação dessas ferragens?

 Este é o principal problema existente atualmente, não existia e não existe até o presente momento nenhuma Norma ou regulamentação para as ferragens para vidro. Justamente por este motivo não havia a possibilidade de verificar a qualidade dos produtos e nem identificar o possível problema e responsável por eventuais patologias encontradas.

Então reforça a importância da Norma para o setor de Ferragens para Vidro frente ao NMR do INMETRO, que passará de um controle de pré mercado para um controle de pós mercado, ou seja, passará a uma fiscalização proativa em função do monitoramento do mercado e das reclamações recebidas.

 E a empresa que puder mostrar bom antecedente e a utilização de Boas Práticas como o atendimento à Norma terá um tratamento diferenciado, ou seja, o atendimento à norma por si só já é uma demonstração de Boa Prática e Comportamento, ou, se não quiser cumprir a Norma, ok, mas terá que se justificar, o que vai ser muito difícil.

8) Após ela entrar em vigor, espera-se que ela contribua para reduzir erros em especificações (seja do tipo de ferragem, do tipo do vidro e/ou do recorte ou furação do vidro) e traga mais segurança aos usuários dos sistemas instalados?

 Sem dúvidas, será uma excelente ferramenta para ajustar e corrigir os erros que geram insegurança e perigo ao usuário, assim como, vale destacar a grande expectativa do próprio setor com esta Norma, pois as referência muitas vezes são informais e com base na experiência dos profissionais envolvidos.

 Com o documento, mesmo um novo fabricante passa a ter uma referência, um ponto de partida para os requisitos mínimos de segurança e desempenho das Ferragens para Vidros. Trará maior segurança para todos os envolvidos até o usuário final.

 E destaca-se que a exigência do atendimento à Norma já começa a valer a partir do momento da sua publicação, com a previsão que ocorra no primeiro semestre de 2020.

9) Há algo mais que considere importante falar a respeito do assunto? Se sim, o quê?

 Sim, gostaria. Já mencionei, mas gostaria de ressaltar a importante parceria e cooperação do SIAMFESP e da ABRAVIDRO para que este documento pudesse ser elaborado, assim como dos profissionais das empresas, laboratório e especificadores.

E reforçar e enaltecer a importância da comunicação para que este assunto e trabalho efetivamente chegue a todos os interessados e que possamos esclarecer a excelente oportunidade que temos hoje de regular o Setor de Ferragens para Vidro, trabalhando na auto regulação, com a arguição e anuência do INMETRO.

Fonte: AZM Comunicação

 

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